Nossas convicções sobre o mundo são baseadas em quê mesmo?
- Mariane Tortella

- 17 de mar. de 2021
- 3 min de leitura
Compreender a natureza da corporalidade humana (parte da natureza do mundo) em sua elegante complexidade deveria ser, para cada um de nós, uma tarefa diária cheia de surpresas, espantos, alegrias e aprofundamentos sobre o existir, sobre o que é real. Assim como uma criança descobre encantada cada pequeno mistério ao seu redor, nós não deveríamos nos contentar, a partir de certa idade, com as repetições da vida diária, com as respostas rasas, com as regras mornas, quase frias, atoladas de ideias prontas sobre o funcionamento de quase tudo.
Não somos cientistas, mas deveríamos almejar o olhar curioso e questionador, pelo menos daquela criança que fomos. Quanto de nossas ideias sobre nós mesmos vem da cultura da separação? Corpo x mente, matéria x espírito, físico x emocional, e por aí vai. A título de aprendermos como funciona o todo separamos as partes, dividimos. Ok, fez sentido nos dois últimos séculos mas já passou da hora de ampliar essa visão, ir além, vislumbrar o todo reciprocamente conectado, a potência que somos. Ultrapassar ideias materialistas ultrapassadas, nos aproximarmos da ideia da sutileza quântica, do vazio como espaço de possibilidades para a criação de formas e desejos.
Para dar uma pincelada em descobertas que marcam uma nova era, na virada do século XX, uma nova geração de físicos se propôs a mostrar a relação entre energia e estrutura da matéria. Dez anos mais tarde, deixaram de lado os conceitos newtonianos do universo material porque perceberam que o universo não é composto de matéria suspensa no espaço vazio, mas sim de energia. A física quântica descobriu que os átomos físicos são constituídos de vórtices de energia
que giram e vibram constantemente. Cada átomo é um centro que gira e irradia energia e cada
um deles tem uma “assinatura” (movimento) e “constituição” (moléculas) próprios. Por isso, todo material do universo, incluindo você e eu, irradia uma assinatura energética única.
Se fosse possível observar a composição de um átomo por meio de um microscópio, o que veríamos? Imagine um vórtice de energia girando e se movendo na areia do deserto. Agora remova a areia. O que sobra é apenas um tornado invisível. Um átomo nada mais é do que um conjunto desses vórtices microscópicos. Se observado de longe parece uma esfera embaçada. De perto não há matéria física, é apenas vácuo. Surpreso? Lembra daqueles modelos de átomos que aprendemos na escola? E que talvez continue sendo ensinado assim? Pois é, não é bem assim. Parece estranho? Sim, à primeira vista é um choque, temos dificuldade em imaginar, pode se
dizer, pra usar um termo bastante em voga, que é preciso “desconstruir” a ideia de mundo que temos para abrir espaço para algo imensamente mais interessante.
Em nossa próxima incursão por esse novo mundo vamos dar mais um pequeno passo e olhar para a nossa biologia. Por ora posso adiantar, baseada nas noções desenvolvidas até aqui, que nossas percepções estruturam nossas crenças, e que nossas crenças controlam a nossa vida. E, pasmem, controlam até mesmo a nossa biologia! Reflitam, busquem mais informações validadas por estudiosos.
Neste texto cito trechos do Biologia da Crença, de Bruce Lipton. Mas você também pode se referenciar em autores como Marcelo Gleiser, “A dança do universo”, Amit Goswami “O universo autoconsciente” , entre tantas outras obras desses dois cientistas voltadas para o público em
geral, pessoas curiosas e que gostam de fazer perguntas!









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